segunda-feira, 22 de março de 2010

SAAE/Caxias comemora o dia mundial da água



O SAAE/Caxias todos os anos aproveita o período das comemorações do Dia Mundial da Água para lançar o seu Relatório Anual de Potabilidade.

Cumprindo o Decreto Federal 5.440/2005 a autarquia fornece para seus mais de 30 mil consumidores os números relativos às estações de tratamento da água, Volta Redonda e Ponte, e das dezenas de sistemas simplificados de abastecimento de água (poços artesianos) de todo o município.

Em todo o mundo o dia 22 de março é comemorado o Dia da Água. Este dia foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 22 de março de 1992 e é destinado a discussões, debates sobre diversos temas relacionados a este importante bem natural. No mesmo dia foi divulgado um importante documento: "Declaração Universal dos Direitos da Água".

O texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população mundial e dos governantes para a questão da água. O bem natural insubstituível para a sobrevivência humana.

Juntamente com as planilhas contendo os índices de qualidade físico-química e bacteriológica da água consumida pelo caxiense, são divulgadas as informações sobre os aspectos administrativos, avanços tecnológicos e de projetos da autarquia SAAE além de dicas quanto ao uso racional e sustentável da água.

Segundo o diretor da autarquia Saae/Caxias, eng. Carlos A. Martins, "a democratização de todas as informações relacionadas aos serviços essenciais a população é de direito de todos, em nossa administração o Saae sempre prezou por isso. Além de contribuirmos para uma melhor educação no que diz respeito ao uso racional da água", ressaltou o diretor.


Fonte: Ascom

Temer prevê aprovação do projeto da ficha suja

Alvo de mobilizações realizadas em todo o País, o projeto de lei contra os candidatos com ficha suja começa a abrir caminho para sua aprovação. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse pedirá o empenho de cada um deles junto às bancadas para apoiar a proposta, em reunião de líderes marcada para amanhã, às 15 horas.

Com "um certo consenso", como frisou, o deputado acredita que a matéria estará pronta para ser examinada no plenário na semana depois da Páscoa. "Com o apoio dos líderes, o projeto pode ser aprovado, o texto melhorou bastante", afirmou, referindo-se a mudanças feitas pela comissão de deputados.

Temer negou ter dificultado a tramitação do projeto. "Pelo contrário, eu sempre disse que queria sua aprovação, mas achava difícil avançar na tramitação, com a condenação em primeira instância", explicou.

Fora do Congresso, intensificou-se o trabalho do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) para impedir a eleição dos candidatos de ficha suja. Além da entrega de mais 77 mil assinaturas para se juntar ao 1,5 milhão que embasam o projeto de iniciativa popular, uma série de eventos tem sido desenvolvida em todo o País.

A posição dos 513 deputados está sendo mapeada por meio de questionário encaminhado pela internet aos gabinetes, na sexta-feira. É dele que sairá - de acordo com a diretora do movimento, Jovita José Rosa - a planilha sobre "os que querem ou não acabar com a corrupção na vida pública do País".

Uma espécie de marco dessa mobilização está sendo preparada para o aniversário de 50 anos de Brasília. Segundo Jovita, será a ocasião de comprovar até que ponto a impunidade com os fichas-sujas corrompe as administrações públicas.

Ela cita o caso do governador José Roberto Arruda, preso há mais de um mês, que em 2001 voltou à vida pública porque não havia nenhuma lei para impedir seu retorno. Naquele ano, Arruda renunciou ao mandato para não ser cassado como um dos envolvidos na violação do painel do Senado. Se o projeto contra os fichas-sujas estivesse em vigor, diz Jovita, Arruda estaria inelegível até o fim deste ano. "E o Distrito Federal não estaria vivendo o caos de hoje."

O texto prevê que aqueles que renunciarem ficam impedidos de se candidatarem no período restante do mandato e nos oito anos seguidos ao término da legislatura. Por se tratar de lei complementar, o projeto não corre o risco de ser brecado pela obstrução provocada no plenário pelas medidas provisórias. O quórum para sua aprovação é de maioria absoluta: 257 deputados e 41 senadores.

O texto modifica a lei que trata da inelegibilidade e atinge os demitidos do serviço público, os condenados por crimes eleitorais e os que tenham sido impedidos de exercer profissão por decisão do órgão profissional competente.

Rosa Costa / BRASÍLIA - O Estadao de S.Paulo

MARANHÃO: LIMITES DA CONVENIÊNCIA

por: Marcio Jerry

O PT também está rachado no Maranhão. A divisão se dá entre petistas que querem apoiar a eleição de Roseana Sarney (PMDB) e os que tentam tirar
o poder de uma oligarquia familiar. Esses se articulam em torno da candidatura do deputado Flávio Dino (PCdoB), parlamentar de destacada atuação no Congresso e, também, na base governista.

É um conflito que se repete em outros estados. O PT não cedeu na Bahia. Mas deve ceder em Minas, em nome do acordo nacional com o PMDB.

A resistência no Maranhão é à oligarquia Sarney, que completa 45 anos. Ela nasceu com a eleição de José Sarney para o governo do estado, em 1965, com apoio do marechal Castelo Branco. Sarney foi peça importante de sustentação da ditadura quase todo o tempo. Sim, quase: foi udenista até a UDN acabar; arenista até a Arena acabar; pedessista até o PDS acabar, mas abandonou o regime militar antes que acabasse. Esperta atitude.

No dia 27, os petistas vão decidir. O PT e o PMDB fizeram um casamento de conveniência. Relação de conveniência tem limites. Esse caso estabelece o limite. O Maranhão, para a nossa desdita, é o enclave mais atrasado do Brasil. Herança da oligarquia que sufoca o progresso econômico-social e mancha o lábaro estrelado.

quinta-feira, 18 de março de 2010

CARTAS AO DR. PÊTA - JP de 17.03.2010


As eleições se aproximam e os rumores já se encontram nas principais praças do interior maranhense. No município de Caxias, cidade habitada por intelectuais e formadores de opinião, já se ouve comentários sobre o desempenho de alguns deputados que ocupam as cadeiras da Assembléia Legislativa. Dra. Cleide Coutinho vem tendo um inédito índice de aprovação como representante daquele município. Essa é, sim, uma das candidatas favoritas. Desde que foi eleita, em 2006, como a segunda mais bem votada do Maranhão, Dra Cleide vem desempenhando um excelente papel na AL, elaborando projetos que favorecem de forma direta aquele município. Na cidade de Tuntum não é diferente. O povo reconhece muito bem o trabalho de um gestor e lá a sede do voto é ainda maior.
por: Ronald Segundo
Jornal Pequeno 17.03.10

PT do Maranhão: lotes à venda?



A governadora biônica – colocada no cargo pelo voto de cinco juízes – do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), quer comprar o Partido dos Trabalhadores (PT) no seu estado.

Doloroso constatar, há quem esteja disposto a vendê-lo.

Ignorando mais de quatro décadas de luta renhida, onde não foram poucas as baixas, contra a oligarquia Sarney – tendo à frente do campo popular o PT e o PDT – e tudo de ruim que ela representa, algumas lideranças obtusas estão dispostas a rasgar a história do maior partido de massas do Ocidente e capitular diante do poder econômico.

No próximo dia 26 de março, no Encontro Estadual do PT-MA, não estarão em disputa apenas a política de alianças e a estratégia eleitoral da legenda para 2010.

Estará em jogo, acima de tudo, que tipo de mensagem o Partido dos Trabalhadores enviará à sociedade maranhense.

A mensagem de esperança, perseverança e coragem para enfrentar os grandes desafios…

Ou a mensagem da submissão ao poder opressor.

De nada valem justificativas como “estamos sendo coerentes com o projeto nacional” ou “estamos fortalecendo o projeto do governo Lula”.

Eleitoralmente, o PT do Maranhão – ao contrário de todos os seus irmãos nos estados vizinhos – é quase insignificante. Ou melhor, TORNOU-SE, sobretudo na última década, quase insignificante, graças a sucessivos erros causados pelos egos maiores do que os cérebros.

No Maranhão, o PT chega a ser menor do que várias siglas de aluguel que representam nada ou quase nada em nível nacional, mas (sobre)vivem do fisiologismo que tem raízes muito profundas no estado, um dos legados da oligarquia Sarney – e da degeneração, numa espécie de reflexo invertido do sarneísmo, do PDT nos últimos vinte anos.

O PT, entretanto, tem consigo um patrimônio que nenhum outro partido no Brasil jamais chegou perto de possuir: a encarnação da chama da indignação que move homens e mulheres em busca da transformação, da superação de uma sociedade de poucos (privilegiados) exploradores e muitos explorados.

Todas as pesquisas acerca dos partidos brasileiros mostram que o PT é o que possui as melhores referências no imaginário da população brasileira. Se alguém duvidar, basta conferir aqui uma pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo em 2006 (ainda sob o calor do escândalo do “mensalão”).


Roseana treme diante da possibilidade de Flávio Dino ser apoiado pelo PT

O PT, portant0, não precisa de Roseana Sarney. Ela e sua camarilha são quem, de fato, precisa do PT para liquidar qualquer possibilidade de vitória da oposição.

Que a escolha do dia 26 rejeite a capitulação do Partido dos Trabalhadores perante o grupo que mais cristalinamente representa a sua antítese no Maranhão.

Que a decisão do Encontro seja a de apoiar a candidatura do brilhante e corajoso deputado federal Flávio Dino – este, por si só, serviria de exemplo pessoal para algumas lideranças petistas que estão hesitantes, ou mesmo já resignadas com a aliança com a família Sarney: abandonou uma carreira ao mesmo tempo consagrada e promissora na magistratura brasileira por ousar acreditar na sua contribuição para a transformação verdadeira e profunda do Maranhão… transformação que, por certas (im)posturas aparentes, talvez não alimente mais o pensamento de algumas lideranças petistas maranhenses…

Ceticismo - Um dos nomes mais citados nesse imbróglio do PT maranhense é o histórico e valoroso militante sindical Rodrigo Comerciário, justamente o candidato a vice na chapa com Flávio Dino na eleição municipal de 2008 em São Luís.

Seria ele – só posso cogitar, pois acompanho de longe os debates e articulações – o fiel da balança na disputa entre os “sarneístas-petistas” (escrever isso até dói!) e os defensores da aliança com o PCdoB de Flávio.

Mais do que ingênuo, sou cético quanto à possibilidade de Rodrigo – nome de um dos meus irmãos – esquecer todo o seu passado (e colocar em xeque o seu futuro) para “comercializar” a sua adesão ao esquema putrefato da família Sarney. Não acredito nisso.

Maria Aragão, Elias Zi, Padre Josimo, Preto Ghoez e tantos outros bravos lutadores da esquerda maranhense – não necessariamente petistas – já tombados, porém sempre lembrados, devem estar se contorcendo de dor, onde quer que estejam, diante da simples existência desse debate e, pior, da possibilidade de um desfecho absolutamente trágico.

PS: Alguns “jornalistas” de aluguel do Sistema Mentira Mirante estão espalhando o boato estapafúrdio de que Flávio Dino será candidato a senador na chapa de Roseana Sarney. Acreditam mesmo que são capazes de influenciar a decisão petista. Coitados. Acreditam num poder que não possuem. Alguns deles, vale lembrar, acostumados a circular na Assembleia Legislativa, nas secretarias estaduais ou prefeituras do interior para receber os trocados – não assumidos – por serviços prestados que no Império Romano já tinham nome, mas são despudoradamente oferecidos como “jornalismo”…

Márcio Jerry

quarta-feira, 17 de março de 2010

Cleide Coutinho cobra execução da estrada Caxias/São João do Sóter


De volta ao plenário 15 dias depois de haver se submetido a uma cirurgia no ombro direito, a deputada Cleide Coutinho (PSB) cobrou do Governo do Estado a construção da estrada que liga Caxias a São João do Sóter (MA-127). A parlamentar afirmou estar de posse de um abaixo-assinado dos moradores da área pedindo a execução da estrada estadual e mostrou fotos que comprovam a intrafegabilidade dela.

Cleide Coutinho disse que o secretário de Infraestrutura, Max Barros, e a governadora Roseana Sarney (PMDB) se comprometeram a executar a obra, mas até agora não foi realizada. A deputada socialista contou não saber qual foi a empresa que ganhou a licitação, mas que a estrada “está uma tristeza” e “em estado decadente ficando quase que impossibilitado de transitar devido a buracos e trepidações, e durante o período da chuva tornará impossível o trânsito lá”.

A deputada do PSB afirmou que sete pontes foram derrubadas para ser reconstruídas e até agora nada foi feito e que os carros e caminhões que por ali trafegam estão passando dentro d’água, correndo risco de quebrar e que quando chove de um lado ficam os veículos e as pessoas passam a pé para o outro. Cleide Coutinho fez um apelo ao deputado e secretário Max Barros, no sentido de que a obra seja realizada o quanto antes.

A parlamentar garantiu que “a sorte dos moradores, quando se refere a andar pela estrada, é que não choveu ainda”.

Waldemar Têrr
Agência Assembleia

segunda-feira, 15 de março de 2010

VOU DAR UM TEMPO...

“Daqui pra frente, ainda teremos terremotos, tsunamis e o Big Brother 11, 12,13,14,15... eleições, Copa do mundo, enfim, eu preciso dar um tempo para poder voltar e reclamar das mesmas coisas”

Não sei se vocês lembram, mas escrevi uma crônica cujo título é “Os filhos de FHC e Lula, e outras águas”. Tá aqui no arquivo. Eu falava de uma entrevista que Cony concedeu a Mauricio Melo Junior, na TV Senado.

Peço licença, e reproduzo um trecho: “Em determinado momento da entrevista, antes de discorrer sobre Memórias de um Sargento de Milícias, Cony estabelece a diferença entre o cronista e o romancista. Segundo o autor de Pilatos (um livro histórico), o primeiro é peixe de aquário, ele está ali para soprar amenidades no ouvido do leitor passageiro. Podemos encontrá-lo nas ante-salas de consultórios dentários ou no hall de entrada de churrascarias de gosto duvidoso, e geralmente carne de primeira. O cronista é uma distração. Ele afaga, decora o ambiente. Um fofoqueiro de luxo. Uma comadre remunerada. Nunca tem uma tese; se faz e ganha o pão no reino das generalidades, dos palpites. Uma exceção óbvia e ululante me vem à mente: Nelson Rodrigues – esse é outro papo”.

“E o segundo é peixe cascudo, de águas profundas, vive e produz isolado: não faz nenhuma questão de ser bonitinho e piscar luzinhas coloridas para o deleite de sua audiência, aliás, ele dispensa a tal audiência. Escreve apesar dos poucos leitores que o admiram, apesar dele mesmo. Com ele, não tem lero-lero. O cara é ambicioso e intratável. O negócio dele são os desvãos da alma, os vôos tonitruantes sobre abismos infernais. Um pé no saco. Claro que também há exceções, e é claro que o mesmo sujeito pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo: os exemplos são numerosos, a começar pelo próprio Cony. Diferenças estabelecidas, posso dizer o seguinte: não é raro que o cronista atrapalhe o trampo do romancista e vice-versa. Sobretudo se ele for a mesma e problemática pessoa. Está acontecendo isso comigo, aqui e agora. Depois de 90 crônicas publicadas no Congresso em Foco, com apenas duas brevíssimas interrupções ao longo de quase dois anos, sinto que o parafuso está dando uma espanada. Ou eu faço uma coisa ou faço outra. Ou faço as duas coisas pela metade”.

Pilatos é um livro histórico porque é o pai do besteirol no Brasil, leiam.

E depois, confesso, estou um pouco frustrado. Não só com os desdobramentos dos acontecimentos, que de certa forma são previsíveis. Mas com minha própria ingenuidade. De nada adiantou e de nada adiantará me esgoelar aqui no Congresso em Foco. Vocês viram a capa – outra vez eles se superaram... – da Rolling Stone deste mês? Se Hitler, Stalin ou qualquer carniceiro do século vinte atuasse hoje em dia, estaria escovando os mesmos dentes podres que Bial escova na capa desse lixo de revista. Dá um desânimo danado acompanhar 70 milhões de pessoas votando nessa merda chamada Big Brother. Qual a diferença dos campos de extermínio nazistas? Nenhuma. Ou talvez o B.B.B seja mais nefasto, porque manda a consciência de milhões para uma câmara de gás que não passa de uma pegadinha... pensando bem, os corpos sarados do BBB não são muito diferentes dos esqueletos produzidos pelos nazistas: porque o método de aniquilar as almas é o mesmo. Chega uma hora que enche o saco. Pra dona Lindu que o pariu o Lula e suas metáforas e comparações abjetas. O presidente boca de esgoto, o estadista sem frase. Não bastasse, em fevereiro tem comercial de cerveja, carnaval, o diabo. Me sinto um tonto, gritando, reclamando toda semana pra quê?

Na verdade, o que eu queria era revirar o mundo do avesso e falar com os meus amigos ao mesmo tempo. Mas isso não consegui, e jamais conseguirei.

E essa sensação de gritar no deserto já me acompanha há um bom tempo. Vejam só o que escrevi em 2004, no falecido site da Aol:

“O que eu quero dizer é que não adianta nada escrever aqui, nem em lugar nenhum. Ou, por acaso, adiantou alguma coisa falar em Big Brother, dizer que aquilo é um zoológico nefasto e desejar ter dois filhos retardados com Antonella? Nada, não adiantou nada. O Big Brother tá lá, firme e forte, a gringa me enfeitiçou para sempre e, dentro de alguns meses, Sílvio Santos vai enfiar sua Casa dos Artistas 5 ou 6 goela abaixo da minha realidade derrotada. De que adiantou falar do oba-oba que se fez quando do lançamento do livro do Chico Buarque? Nada, absolutamente nada, o livro é um sucesso de vendas e provavelmente ganhará um monte de prêmios e medalhas, Daniel Piza continuará despejando aforismos “pequenas empresas, grandes negócios” na cabeça de todo mundo, todo domingo no Estadão. Alguma providência foi tomada pelo Ministério Público quanto às barbies anoréxicas? O que adianta esculhambar e reiterar a esculhambação? Os tribalistas e todos os desdobramentos sensuais e odaras do coronelzinho de Santo Amaro da Purificação são tão certos na próxima temporada quanto as enchentes no Jardim Pantanal e a cara feia dos manos do rap. De nada adiantou estrebuchar, lançar pragas e trovoadas em cima de lugar nenhum. Acho que é isso. Nem vou falar do Ed Motta. Estou perdendo meu tempo e gastando o tempo de vocês, leitores, que, toda quinta ou sexta-feira, vêm até aqui para ver onde cairá a próxima bomba. Eu vos digo: no Ed Motta ou em lugar nenhum, dá na mesma. Sou um crédulo, este é meu problema. Um bobalhão apartado de si mesmo que imaginou ter duas lésbicas deslizando sobre o calçadão do Leblon somente para o meu regozijo e o consumo do Takeda, um japa amigo meu que é chegado nesses lances e que, além de persuasivo e discretamente camicase, adora comer um frango a passarinho e discorrer sobre adagas e mutilações genitais amiúde... Sei lá, é mania dele falar desses assuntos enquanto chupa asinhas de frango a passarinho. Escrevo para o Takeda, pro Mário e pro Nilo, pros meus amigos... E se o Lísias, que mais do que amigo é também meu ideólogo de plantão, achar que tá bom, pra mim tá ótimo.

A grana que recebo é decente (descontados os impostos escorchantes....) mas não me livrou dos ônibus lotados nem dos congestionamentos de São Paulo, tampouco me ajudou a comprar mulheres melhores do que aquelas que eu consumia (com a mesada da mamãe) antes de escrever na AOL. Sou um sujeito de hábitos simples, quase um monge, nem cama eu tenho, durmo sobre um colchonete furreca e moro numa quitinete na praça Roosevelt, quem quiser me achar e acabar com isso tudo, por favor, vá ao teatro dos Satyros que fica na mesma praça, veja o Hotel Lancaster do Bortolotto, e pergunte ao Loureiro, que é o diretor do Hotel..., por mim: é a coisa mais fácil de se achar. Mas vá armado que eu costumo reagir.

Depois da peça, estou lá. Triste e amargurado, nem sei por quê. À espera da mulher que idealizei desde os meus doze anos de idade e que jamais aparecerá, estou lá, eu, minhas bochechas e minhas olheiras, assim meio que cambaleante, uma parte mussarela e a outra metade calabresa... Sobretudo convencido de que não adiantou nada estrebuchar, escrever quatro livros geniais e, agora, estas crônicas acima da média; não comi ninguém por causa / nem apesar disso e, quero dizer que sou uma besta quadrada e que, daqui pra frente, tudo o que eu fizer vai ser feito deliberadamente em vão — como se isso fosse possível...”.

Quem levou o tiro foi o Bortolotto, que graças a Deus está se recuperando e passa bem. De resto, basta somar onze livros geniais, trocar a Casa dos Artistas pela Fazenda do bispo Edir, e Ed Motta por Mano Brown , trocar São Paulo pelo Rio e o colchonete furreca por uma cama de casal e... voilà! A mesma merda. Tudo bem que minha vida deu uma melhoradinha, mas continuo desanimado como sempre. Em 2004 – como vocês podem conferir - eu já andava desiludido com toda essa merda, e achava que as coisas só iam piorar, e pioraram muito. Na sexta-feira um fanático matou Glauco e Raoni, seu filho. Daqui pra frente, ainda teremos terremotos, tsunamis e o Big Brother 11, 12,13,14,15... eleições, Copa do mundo, enfim, eu preciso dar um tempo para poder voltar e reclamar das mesmas coisas, enquanto isso não acontece, me recolho ao silêncio dos abismos marinhos e vou viver minha vida de peixe cascudo, mas eu volto. Obrigado pela audiência, e abraços a todos.





*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.





Não sei se vocês lembram, mas escrevi uma crônica cujo título é “Os filhos de FHC e Lula, e outras águas”. Tá aqui no arquivo. Eu falava de uma entrevista que Cony concedeu a Mauricio Melo Junior, na TV Senado.

Peço licença, e reproduzo um trecho: “Em determinado momento da entrevista, antes de discorrer sobre Memórias de um Sargento de Milícias, Cony estabelece a diferença entre o cronista e o romancista. Segundo o autor de Pilatos (um livro histórico), o primeiro é peixe de aquário, ele está ali para soprar amenidades no ouvido do leitor passageiro. Podemos encontrá-lo nas ante-salas de consultórios dentários ou no hall de entrada de churrascarias de gosto duvidoso, e geralmente carne de primeira. O cronista é uma distração. Ele afaga, decora o ambiente. Um fofoqueiro de luxo. Uma comadre remunerada. Nunca tem uma tese; se faz e ganha o pão no reino das generalidades, dos palpites. Uma exceção óbvia e ululante me vem à mente: Nelson Rodrigues – esse é outro papo”.

“E o segundo é peixe cascudo, de águas profundas, vive e produz isolado: não faz nenhuma questão de ser bonitinho e piscar luzinhas coloridas para o deleite de sua audiência, aliás, ele dispensa a tal audiência. Escreve apesar dos poucos leitores que o admiram, apesar dele mesmo. Com ele, não tem lero-lero. O cara é ambicioso e intratável. O negócio dele são os desvãos da alma, os vôos tonitruantes sobre abismos infernais. Um pé no saco. Claro que também há exceções, e é claro que o mesmo sujeito pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo: os exemplos são numerosos, a começar pelo próprio Cony. Diferenças estabelecidas, posso dizer o seguinte: não é raro que o cronista atrapalhe o trampo do romancista e vice-versa. Sobretudo se ele for a mesma e problemática pessoa. Está acontecendo isso comigo, aqui e agora. Depois de 90 crônicas publicadas no Congresso em Foco, com apenas duas brevíssimas interrupções ao longo de quase dois anos, sinto que o parafuso está dando uma espanada. Ou eu faço uma coisa ou faço outra. Ou faço as duas coisas pela metade”.

Pilatos é um livro histórico porque é o pai do besteirol no Brasil, leiam.

E depois, confesso, estou um pouco frustrado. Não só com os desdobramentos dos acontecimentos, que de certa forma são previsíveis. Mas com minha própria ingenuidade. De nada adiantou e de nada adiantará me esgoelar aqui no Congresso em Foco. Vocês viram a capa – outra vez eles se superaram... – da Rolling Stone deste mês? Se Hitler, Stalin ou qualquer carniceiro do século vinte atuasse hoje em dia, estaria escovando os mesmos dentes podres que Bial escova na capa desse lixo de revista. Dá um desânimo danado acompanhar 70 milhões de pessoas votando nessa merda chamada Big Brother. Qual a diferença dos campos de extermínio nazistas? Nenhuma. Ou talvez o B.B.B seja mais nefasto, porque manda a consciência de milhões para uma câmara de gás que não passa de uma pegadinha... pensando bem, os corpos sarados do BBB não são muito diferentes dos esqueletos produzidos pelos nazistas: porque o método de aniquilar as almas é o mesmo. Chega uma hora que enche o saco. Pra dona Lindu que o pariu o Lula e suas metáforas e comparações abjetas. O presidente boca de esgoto, o estadista sem frase. Não bastasse, em fevereiro tem comercial de cerveja, carnaval, o diabo. Me sinto um tonto, gritando, reclamando toda semana pra quê?

Na verdade, o que eu queria era revirar o mundo do avesso e falar com os meus amigos ao mesmo tempo. Mas isso não consegui, e jamais conseguirei.

E essa sensação de gritar no deserto já me acompanha há um bom tempo. Vejam só o que escrevi em 2004, no falecido site da Aol:

“O que eu quero dizer é que não adianta nada escrever aqui, nem em lugar nenhum. Ou, por acaso, adiantou alguma coisa falar em Big Brother, dizer que aquilo é um zoológico nefasto e desejar ter dois filhos retardados com Antonella? Nada, não adiantou nada. O Big Brother tá lá, firme e forte, a gringa me enfeitiçou para sempre e, dentro de alguns meses, Sílvio Santos vai enfiar sua Casa dos Artistas 5 ou 6 goela abaixo da minha realidade derrotada. De que adiantou falar do oba-oba que se fez quando do lançamento do livro do Chico Buarque? Nada, absolutamente nada, o livro é um sucesso de vendas e provavelmente ganhará um monte de prêmios e medalhas, Daniel Piza continuará despejando aforismos “pequenas empresas, grandes negócios” na cabeça de todo mundo, todo domingo no Estadão. Alguma providência foi tomada pelo Ministério Público quanto às barbies anoréxicas? O que adianta esculhambar e reiterar a esculhambação? Os tribalistas e todos os desdobramentos sensuais e odaras do coronelzinho de Santo Amaro da Purificação são tão certos na próxima temporada quanto as enchentes no Jardim Pantanal e a cara feia dos manos do rap. De nada adiantou estrebuchar, lançar pragas e trovoadas em cima de lugar nenhum. Acho que é isso. Nem vou falar do Ed Motta. Estou perdendo meu tempo e gastando o tempo de vocês, leitores, que, toda quinta ou sexta-feira, vêm até aqui para ver onde cairá a próxima bomba. Eu vos digo: no Ed Motta ou em lugar nenhum, dá na mesma. Sou um crédulo, este é meu problema. Um bobalhão apartado de si mesmo que imaginou ter duas lésbicas deslizando sobre o calçadão do Leblon somente para o meu regozijo e o consumo do Takeda, um japa amigo meu que é chegado nesses lances e que, além de persuasivo e discretamente camicase, adora comer um frango a passarinho e discorrer sobre adagas e mutilações genitais amiúde... Sei lá, é mania dele falar desses assuntos enquanto chupa asinhas de frango a passarinho. Escrevo para o Takeda, pro Mário e pro Nilo, pros meus amigos... E se o Lísias, que mais do que amigo é também meu ideólogo de plantão, achar que tá bom, pra mim tá ótimo.

A grana que recebo é decente (descontados os impostos escorchantes....) mas não me livrou dos ônibus lotados nem dos congestionamentos de São Paulo, tampouco me ajudou a comprar mulheres melhores do que aquelas que eu consumia (com a mesada da mamãe) antes de escrever na AOL. Sou um sujeito de hábitos simples, quase um monge, nem cama eu tenho, durmo sobre um colchonete furreca e moro numa quitinete na praça Roosevelt, quem quiser me achar e acabar com isso tudo, por favor, vá ao teatro dos Satyros que fica na mesma praça, veja o Hotel Lancaster do Bortolotto, e pergunte ao Loureiro, que é o diretor do Hotel..., por mim: é a coisa mais fácil de se achar. Mas vá armado que eu costumo reagir.

Depois da peça, estou lá. Triste e amargurado, nem sei por quê. À espera da mulher que idealizei desde os meus doze anos de idade e que jamais aparecerá, estou lá, eu, minhas bochechas e minhas olheiras, assim meio que cambaleante, uma parte mussarela e a outra metade calabresa... Sobretudo convencido de que não adiantou nada estrebuchar, escrever quatro livros geniais e, agora, estas crônicas acima da média; não comi ninguém por causa / nem apesar disso e, quero dizer que sou uma besta quadrada e que, daqui pra frente, tudo o que eu fizer vai ser feito deliberadamente em vão — como se isso fosse possível...”.

Quem levou o tiro foi o Bortolotto, que graças a Deus está se recuperando e passa bem. De resto, basta somar onze livros geniais, trocar a Casa dos Artistas pela Fazenda do bispo Edir, e Ed Motta por Mano Brown , trocar São Paulo pelo Rio e o colchonete furreca por uma cama de casal e... voilà! A mesma merda. Tudo bem que minha vida deu uma melhoradinha, mas continuo desanimado como sempre. Em 2004 – como vocês podem conferir - eu já andava desiludido com toda essa merda, e achava que as coisas só iam piorar, e pioraram muito. Na sexta-feira um fanático matou Glauco e Raoni, seu filho. Daqui pra frente, ainda teremos terremotos, tsunamis e o Big Brother 11, 12,13,14,15... eleições, Copa do mundo, enfim, eu preciso dar um tempo para poder voltar e reclamar das mesmas coisas, enquanto isso não acontece, me recolho ao silêncio dos abismos marinhos e vou viver minha vida de peixe cascudo, mas eu volto. Obrigado pela audiência, e abraços a todos.



“Daqui pra frente, ainda teremos terremotos, tsunamis e o Big Brother 11, 12,13,14,15... eleições, Copa do mundo, enfim, eu preciso dar um tempo para poder voltar e reclamar das mesmas coisas”




Marcelo Mirisola*
Não sei se vocês lembram, mas escrevi uma crônica cujo título é “Os filhos de FHC e Lula, e outras águas”. Tá aqui no arquivo. Eu falava de uma entrevista que Cony concedeu a Mauricio Melo Junior, na TV Senado.

Peço licença, e reproduzo um trecho: “Em determinado momento da entrevista, antes de discorrer sobre Memórias de um Sargento de Milícias, Cony estabelece a diferença entre o cronista e o romancista. Segundo o autor de Pilatos (um livro histórico), o primeiro é peixe de aquário, ele está ali para soprar amenidades no ouvido do leitor passageiro. Podemos encontrá-lo nas ante-salas de consultórios dentários ou no hall de entrada de churrascarias de gosto duvidoso, e geralmente carne de primeira. O cronista é uma distração. Ele afaga, decora o ambiente. Um fofoqueiro de luxo. Uma comadre remunerada. Nunca tem uma tese; se faz e ganha o pão no reino das generalidades, dos palpites. Uma exceção óbvia e ululante me vem à mente: Nelson Rodrigues – esse é outro papo”.

“E o segundo é peixe cascudo, de águas profundas, vive e produz isolado: não faz nenhuma questão de ser bonitinho e piscar luzinhas coloridas para o deleite de sua audiência, aliás, ele dispensa a tal audiência. Escreve apesar dos poucos leitores que o admiram, apesar dele mesmo. Com ele, não tem lero-lero. O cara é ambicioso e intratável. O negócio dele são os desvãos da alma, os vôos tonitruantes sobre abismos infernais. Um pé no saco. Claro que também há exceções, e é claro que o mesmo sujeito pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo: os exemplos são numerosos, a começar pelo próprio Cony. Diferenças estabelecidas, posso dizer o seguinte: não é raro que o cronista atrapalhe o trampo do romancista e vice-versa. Sobretudo se ele for a mesma e problemática pessoa. Está acontecendo isso comigo, aqui e agora. Depois de 90 crônicas publicadas no Congresso em Foco, com apenas duas brevíssimas interrupções ao longo de quase dois anos, sinto que o parafuso está dando uma espanada. Ou eu faço uma coisa ou faço outra. Ou faço as duas coisas pela metade”.

Pilatos é um livro histórico porque é o pai do besteirol no Brasil, leiam.

E depois, confesso, estou um pouco frustrado. Não só com os desdobramentos dos acontecimentos, que de certa forma são previsíveis. Mas com minha própria ingenuidade. De nada adiantou e de nada adiantará me esgoelar aqui no Congresso em Foco. Vocês viram a capa – outra vez eles se superaram... – da Rolling Stone deste mês? Se Hitler, Stalin ou qualquer carniceiro do século vinte atuasse hoje em dia, estaria escovando os mesmos dentes podres que Bial escova na capa desse lixo de revista. Dá um desânimo danado acompanhar 70 milhões de pessoas votando nessa merda chamada Big Brother. Qual a diferença dos campos de extermínio nazistas? Nenhuma. Ou talvez o B.B.B seja mais nefasto, porque manda a consciência de milhões para uma câmara de gás que não passa de uma pegadinha... pensando bem, os corpos sarados do BBB não são muito diferentes dos esqueletos produzidos pelos nazistas: porque o método de aniquilar as almas é o mesmo. Chega uma hora que enche o saco. Pra dona Lindu que o pariu o Lula e suas metáforas e comparações abjetas. O presidente boca de esgoto, o estadista sem frase. Não bastasse, em fevereiro tem comercial de cerveja, carnaval, o diabo. Me sinto um tonto, gritando, reclamando toda semana pra quê?

Na verdade, o que eu queria era revirar o mundo do avesso e falar com os meus amigos ao mesmo tempo. Mas isso não consegui, e jamais conseguirei.

E essa sensação de gritar no deserto já me acompanha há um bom tempo. Vejam só o que escrevi em 2004, no falecido site da Aol:

“O que eu quero dizer é que não adianta nada escrever aqui, nem em lugar nenhum. Ou, por acaso, adiantou alguma coisa falar em Big Brother, dizer que aquilo é um zoológico nefasto e desejar ter dois filhos retardados com Antonella? Nada, não adiantou nada. O Big Brother tá lá, firme e forte, a gringa me enfeitiçou para sempre e, dentro de alguns meses, Sílvio Santos vai enfiar sua Casa dos Artistas 5 ou 6 goela abaixo da minha realidade derrotada. De que adiantou falar do oba-oba que se fez quando do lançamento do livro do Chico Buarque? Nada, absolutamente nada, o livro é um sucesso de vendas e provavelmente ganhará um monte de prêmios e medalhas, Daniel Piza continuará despejando aforismos “pequenas empresas, grandes negócios” na cabeça de todo mundo, todo domingo no Estadão. Alguma providência foi tomada pelo Ministério Público quanto às barbies anoréxicas? O que adianta esculhambar e reiterar a esculhambação? Os tribalistas e todos os desdobramentos sensuais e odaras do coronelzinho de Santo Amaro da Purificação são tão certos na próxima temporada quanto as enchentes no Jardim Pantanal e a cara feia dos manos do rap. De nada adiantou estrebuchar, lançar pragas e trovoadas em cima de lugar nenhum. Acho que é isso. Nem vou falar do Ed Motta. Estou perdendo meu tempo e gastando o tempo de vocês, leitores, que, toda quinta ou sexta-feira, vêm até aqui para ver onde cairá a próxima bomba. Eu vos digo: no Ed Motta ou em lugar nenhum, dá na mesma. Sou um crédulo, este é meu problema. Um bobalhão apartado de si mesmo que imaginou ter duas lésbicas deslizando sobre o calçadão do Leblon somente para o meu regozijo e o consumo do Takeda, um japa amigo meu que é chegado nesses lances e que, além de persuasivo e discretamente camicase, adora comer um frango a passarinho e discorrer sobre adagas e mutilações genitais amiúde... Sei lá, é mania dele falar desses assuntos enquanto chupa asinhas de frango a passarinho. Escrevo para o Takeda, pro Mário e pro Nilo, pros meus amigos... E se o Lísias, que mais do que amigo é também meu ideólogo de plantão, achar que tá bom, pra mim tá ótimo.

A grana que recebo é decente (descontados os impostos escorchantes....) mas não me livrou dos ônibus lotados nem dos congestionamentos de São Paulo, tampouco me ajudou a comprar mulheres melhores do que aquelas que eu consumia (com a mesada da mamãe) antes de escrever na AOL. Sou um sujeito de hábitos simples, quase um monge, nem cama eu tenho, durmo sobre um colchonete furreca e moro numa quitinete na praça Roosevelt, quem quiser me achar e acabar com isso tudo, por favor, vá ao teatro dos Satyros que fica na mesma praça, veja o Hotel Lancaster do Bortolotto, e pergunte ao Loureiro, que é o diretor do Hotel..., por mim: é a coisa mais fácil de se achar. Mas vá armado que eu costumo reagir.

Depois da peça, estou lá. Triste e amargurado, nem sei por quê. À espera da mulher que idealizei desde os meus doze anos de idade e que jamais aparecerá, estou lá, eu, minhas bochechas e minhas olheiras, assim meio que cambaleante, uma parte mussarela e a outra metade calabresa... Sobretudo convencido de que não adiantou nada estrebuchar, escrever quatro livros geniais e, agora, estas crônicas acima da média; não comi ninguém por causa / nem apesar disso e, quero dizer que sou uma besta quadrada e que, daqui pra frente, tudo o que eu fizer vai ser feito deliberadamente em vão — como se isso fosse possível...”.

Quem levou o tiro foi o Bortolotto, que graças a Deus está se recuperando e passa bem. De resto, basta somar onze livros geniais, trocar a Casa dos Artistas pela Fazenda do bispo Edir, e Ed Motta por Mano Brown , trocar São Paulo pelo Rio e o colchonete furreca por uma cama de casal e... voilà! A mesma merda. Tudo bem que minha vida deu uma melhoradinha, mas continuo desanimado como sempre. Em 2004 – como vocês podem conferir - eu já andava desiludido com toda essa merda, e achava que as coisas só iam piorar, e pioraram muito. Na sexta-feira um fanático matou Glauco e Raoni, seu filho. Daqui pra frente, ainda teremos terremotos, tsunamis e o Big Brother 11, 12,13,14,15... eleições, Copa do mundo, enfim, eu preciso dar um tempo para poder voltar e reclamar das mesmas coisas, enquanto isso não acontece, me recolho ao silêncio dos abismos marinhos e vou viver minha vida de peixe cascudo, mas eu volto. Obrigado pela audiência, e abraços a todos.





*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.


Marcelo Mirisola*
*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.